Cientistas descobrem como cogumelos alucinógenos alteram o cérebro

03/07/2014

Amanita_muscaria_3_vliegenzwammen_op_rijCientistas que estudam os efeitos de cogumelos alucinógenos descobriram que os padrões de atividade cerebral em humanos durante os sonhos são similares aos apresentados durante “viagens” com algumas drogas.

Em um estudo publicado na revista científica “Human Brain Mapping”,os pesquisadores examinaram os efeitos no cérebro da psilocibina, substância lisérgica encontrada em alguns cogumelo, usando exames de imagem em voluntários que haviam sido injetados com a droga.

“Uma boa maneira de entender como o cérebro funciona é perturbá-lo de maneiras novas. Drogas psicodélicas fazem justamente isso e são mecanismos poderosos para explorar o que acontece no cérebro quando a consciência é profundamente alterada”, disse Enzo Tagliazucch, da Universidade Goethe, na Alemanha, que liderou o estudo.

Cogumelos alucinógenos crescem naturalmente em muitas partes do mundo e têm sido usados desde os tempos antigos em ritos religiosos e para recreação.

Pessoas que usam drogas alucinógenas frequentemente descrevem uma “expansão da consciência”, incluindo imaginação vívida, e estados de sonho.

Para explorar as bases biológicas dessas experiências, a equipe de Tagliazucchi analisou as imagens cerebrais de 15 voluntários que receberam psilocibina intravenosa.

Os voluntários passaram pelos exames sob a influência de psilocibina ou quando receberam um placebo. Os pesquisadores analisaram as flutuações de um índice que monitora os níveis de atividade no cérebro.

Eles descobriram que sob efeito da psilocibina, a atividade do cérebro ligada ao pensamento emocional tornou-se mais pronunciada, com várias partes áreas –tais como o hipocampo e o córtex cingulado anterior– ativas ao mesmo tempo. Esse padrão é semelhante ao que as pessoas apresentam quando estão sonhando.

“As pessoas costumam descrever o efeito de ingerir psilocibina como a produção de um estado de sonho e as nossas descobertas, pela primeira vez, dão uma representação física para essa experiência no cérebro”, disse Robin Carhart-Harris do departamento de medicina do Imperial College London, que também trabalhou no o estudo.

Fonte: Folha de São Paulo