Região Serrana é afetada pelo “apagão” no tratamento de pessoas com transtornos mentais

Diretor regional da APERJ tem investido em assegurar os cuidados necessários para a boa assistência aos pacientes do Hospital Psiquiátrico Santa Mônica, no Rio de Janeiro

Transferir pacientes, com longo tempo de internação, para residências terapêuticas ou encaminhá-los de volta para casa. Essa é a solução, que segue as diretrizes do Ministério da Saúde, descredenciando os leitos que poderiam ficar disponíveis para os quadros agudos com necessidade de hospitalização. A Casa de Saúde Santa Mônica, único Hospital Psiquiátrico ainda credenciado ao SUS, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio funciona há 46 anos e tem, atualmente, cerca de 200 leitos, está ameaçada de fechar as portas em razão do valor da diária que há cinco anos não tem reajuste pelo SUS. O preço, de acordo com o médico psiquiatra e diretor regional da APERJ, Eduardo Birman, é de R$ 45 – insuficiente para custear os gastos e manter os pacientes.

Com a inviabilidade econômica, foi criada uma coordenação de saúde mental para que os pacientes sejam remanejados. Porém, até agora as unidades terapêuticas não são efetivas. Para garantir o acolhimento e o direito à saúde, Dr. Eduardo Birman tem somado esforços para que o Hospital Psiquiátrico mantenha o serviço. “Embora o valor repassado seja muito baixo, o que ocasionou na redução de número de funcionários, o Santa Mônica dispõe de uma esquipe multidisciplinar, que atua de forma planejada para a saúde do paciente”, destaca.

A eficácia nos tratamentos realizados na casa de saúde é o principal comprometimento do especialista, que se reuniu nesta semana com a Defensoria Pública do Município de Petrópolis para relatar a desinstitucionalização de pacientes psiquiátricos. Birman mostrou a preocupação com a transferência para as residências terapêuticas, uma vez que essas pessoas não contarão com a garantia de assistência médica psiquiátrica, apenas com “cuidadores” em tempo integral.

“Vale reforçar que o Santa Mônica realiza atendimento de pacientes de toda e Região Serrana. Precisamos que seja mantido e que passe a contar com um grande Núcleo de Assistência Psicossocial. Desta maneira poderá ser evitado que, por interesse público, seja buscado imóveis para abrigar as pessoas que já estão bem alojadas”, considerou Dr. Eduardo Birman.

Em relação às análises de casos, o psiquiatra entende que é necessária a participação de outros médicos fora do quadro do município, a fim de assegurar a imparcialidade da verificação. “Desta forma estaremos sendo éticos nas condutas e avaliando o quadro de saúde mental de cada paciente com a devida eficácia”, disse.

Juntos somos fortes – A APERJ apoia a conduta do Dr. Eduardo Birman e acredita que uma equipe multidisciplinar em um centro de referência contribui para a qualidade de vida do paciente. Por isso, a Associação solicita aos médicos psiquiatras que se engajem no assunto para que a insegurança não se torne presente na vida daqueles que ali, na casa de saúde Santa Mônica, precisam de atenção especial.

 

 

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